Na rota da Vida e do destino.... simplesmente.

Este blog é uma continuidade descontinua do "Vontades". Tentarei seguir dentro de uma mesma linha, mas implementar um pouco mais de mim!

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Um paradoxo! Branco e preto! Alegria e tristeza. Doçura e amargura.... Simplesmente Eu (como já ouvi tantas vezes)...

sábado, julho 15, 2006

Contos de encantar dos tempos modernos

"Os contos de encantar já são todos muito, muito antigos, mas decerto não teriam o mesmo desenrolar se fossem feitos ou contados agora...

Senão, vejamos...
Aposto que a Cinderela jamais teria dormido junto à lareira a sonhar com o dia em que não teria de passar os vestidos das irmãs e da madrasta a ferro. Se fosse agora a família da Cinderela teria uma empregada doméstica e a madrasta e as irmãs usariam fatos em poliéster, que não necessitam de ser engomados. Além disso, se a Cinderela fosse obrigada a tocar numa vassoura ou pano do pó, processaria a família por maus tratos e teria direito a notícia de abertura num qualquer telejornal.

Quanto à história da Branca de Neve... meus amigos... a madrasta da Branca de Neve não teria de ficar angustiada com o facto de a enteada ser mais bela. Consultaria um cirurgião plástico e resolveria o problema com um nariz helénico, uns lábios grossos e contornados e uns olhos rasgados. E a Branca de Neve nunca iria fugir para uma pobre e triste cabaninha no meio da floresta... nada disso. A nossa menina iria alojar-se num condomínio fechado frente ao mar, com piscina aquecida, health club e segurança 24 horas. E não iria ficar a dormir à espera de um qualquer príncipe, em vez disso iria para uma discoteca da moda tentar conquistar um trintão charmoso.

Quanto à Carochinha, a Carochinha... em vez de tentar arranjar um marido exibindo os seus dotes de primorosa dona de casa, anunciando à janela que pretendia casar, seria uma "mulher" de carreira, envolvida em dois ou três projectos de extrema importância institucional, reuniria um currículo invejável de cursos de formação e pós-graduações, iria ao ginásio três vezes por semana, compraria roupas das melhores marcas e seria divertida, elegante e inteligente. Ah, é claro, não andaria por aí a pedir, por favor, para se casar. Em vez disso, teria relações fugazes com vários Joões Ratões e faria terapia no psiquiatra para tentar ultrapassar os desgostos amorosos.

Na história moderna da Capuchinho Vermelho a avó, em vez de pedir que a neta lhe levasse o lanche, telefonaria para um restaurante take-away para pedir Bife três pimentas com batatinhas novas e cenouras salteadas. Convidaria a neta para almoçar e esta dirigir-se-ia até à casa da avó num magnífico descapotável vermelho. Mais tarde o caçador e o lobo mau apareceriam para tomar café. Ah, e o lobo levaria meio quilo de miniaturas de bolas de berlim para a avozinha.

A história do Patinho Feio teria também outros contornos... o pequeno patinho seria um adolescente problemático e anoréctico, invadido por imensas crises existenciais. Leria Camus, Sartre e Kafka, faria ioga e seria incompreendido pelos patinhos e patinhas da mesma idade. Um dia, e depois de muitas terapias e cursos de autoconhecimento, o patinho experimentaria a grande mudança da sua vida... Passaria a interessar-se por automóveis e roupas, a sair à noite, a fazer solário, a ler as revistas cor-de-rosa para ter as fofocas do jet-set em dia e, aos olhos, de todos, passaria a ser um glorioso cisne.

Um dia destes ainda aparece aí um reality show para recrutar personagens de contos de encantar modernos, portanto, meninos e meninas, atenção! Quem sabe não podem vir a ser uma nova Bela Adormecida, um novo Lobo Mau, uma formiga moderna ou uma Cachinhos Dourados do século XXI."
_in: www.edusurfa.pt

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